Flávio Bolsonaro, família e amigos usaram jato de Vorcaro usado por Moraes

Do O Globo

O senador e candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL), sua mulher, Fernanda, e as duas filhas do casal utilizaram o avião de Daniel Vorcaro, em janeiro de 2025, a aeronave é mesma utilizado pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes e sua esposa em agosto do mesmo ano.

Entre os donos do avião tinha a Prime You — empresa operadora do jato e da qual Vorcaro era um dos sócios — e o advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio que aparece como investigado no escândalo do INSS e também estava no voo.

Esta e ao menos outras quatro viagens de Flávio junto de Tomaz foram reveladas na semana passada. Nesta quarta-feira, a revista Piauí mostrou que o avião usado neste trecho entre os EUA e Brasília era o mesmo cedido por Vorcaro a Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, cujo escritório mantinha contratos milionários com o Banco Master.

Documentos registram que Flávio e seus familiares embarcaram no Legacy 650 de prefixo PP-NLR, em Fort Lauderdale, na Flórida, no trecho de retorno realizado em 19 de janeiro.

A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu no fim de semana que antecedeu a posse de Donald Trump para seu segundo mandato, realizada em 20 de janeiro. Durante a passagem pela Flórida, Flávio e Willer estiveram juntos no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami, como revelou à época o colunista Lauro Jardim. O senador deixou os Estados Unidos na véspera da cerimônia.

O registro da viagem foi localizado pela PF na análise das comunicações de Willer. Um e-mail de 24 de janeiro de 2025 menciona o deslocamento do advogado e de sua família, assim como de Flávio e seus parentes.

O voo no avião de Vorcaro não foi um episódio isolado na relação entre Flávio e Willer. A PF identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas em conjunto pelos dois no primeiro semestre de 2025, que incluíram deslocamentos aos EUA, África do Sul, Portugal e França.

“é urgente a quebra completa do sigilo do caso Master”, cobra Lula

O presidente Lula, candidato à reeleição, se pronunciou nesta quarta-feira, dia 9, sobre a crise no STF. Para o presidente, “É necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactem a disputa eleitoral”.

O chefe do executivo também defende a quebra completa do sigilo da investigação do caso Master, “é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Mestre, seja quem for, doa a quem doer”.

PF faz buscas na residência de Cláudio Castro no RJ

Do O Globo

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é alvo de uma operação da Polícia Federal realizada na manhã desta terça-feira, dia 26. A ação investiga aportes feitos pelo estado do Rio de Janeiro, por meio do Rioprevidência, em fundos ligados ao Banco Master.

Os federais saíram para cumprir 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Além de Castro, são alvo integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes considerados suspeitos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras do Master. As operações teriam movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024.

Nesta nova fase da investigação, os policiais apuram ainda aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento ligados à mesma instituição financeira. Somadas, as transferências do Rioprevidência teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões.

Os recursos teriam saído principalmente do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil beneficiários estaduais, além da Cedae, estatal de abastecimento de água do estado.

O Banco Master foi liquidado em novembro, após a prisão do seu fundador, Daniel Vorcaro, por suspeita de fraudes financeiras. A PF apura o pagamento de propina a agentes públicos para conseguir aumentar os aportes no Master, a criação de fundos fictícios para inflar o valor do banco, além da utilização de uma rede de fundos de investimentos para esconder a origem dos recursos.