Mendonça em ‘reunião cilada’ mandou fazer relatório de Moraes

Do UOL

O pedido do ministro do STF André Mendonça para que a Polícia Federal produzisse um relatório sobre as mensagens de Daniel Vorcaro, que acabou revelando a relação do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, foi feito à equipe de investigadores em uma “reunião cilada”, na visão de integrantes da corporação.

A convocatória para a reunião, que aconteceu na segunda (24), foi feita aos investigadores da Operação Compliance Zero pelo gabinete de Mendonça no final de semana anterior, sob a justificativa de que era preciso debater um tema da investigação sobre o Banco Master.

A pauta não tinha relação com Moraes ou com as suspeitas de vazamento da apuração quando a investigação ainda tramitava na 10ª Vara Federal em Brasília.

No horário marcado, os investigadores foram até o gabinete de Mendonça. O ministro iniciou a conversa falando sobre o caso específico indicado como motivo da reunião, mas logo colocou na mesa a decisão assinada por ele —sem data— em que determinava a produção do relatório com as mensagens de Vorcaro.

A ordem era para a PF identificar as pessoas envolvidas nas conversas com Vorcaro que indicavam o acesso do banqueiro a informações sobre a investigação da 10ª Vara Federal em Brasília, de onde saiu a primeira ordem de prisão contra ele, em novembro de 2025.

Parte dessas mensagens já havia sido citada pela própria PF em relatórios tornados públicos. Algumas embasaram reportagem da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, sobre Moraes ser o possível interlocutor de Vorcaro em conversas às vésperas e no dia de sua prisão.

Na reunião com os investigadores da PF, o ministro sinalizou que não tinha conhecimento do que viria no relatório e pediu a produção de um só documento, que deveria conter todos os interlocutores e as conversas sobre o tema citadas na decisão.

Moraes, Cármem Lúcia e Dino têm imagens mais positivas no STF

Da Atlas Bloomberg

Alexandre de Moraes tem a imagem mais positiva entre os 11 ministros do STF, seguido por Carmen Lúcia e Flávio Dino. No entanto, todos os ministros da corte possuem saldos negativos de imagem. Gilmar Mendes e Roberto Barroso possuem as imagens mais negativas (56% e 53%, respectivamente).

Já Nunes Marques possui o maior nível de desconhecimento.

A avaliação de desempenho do STF é, no geral, bastante polarizada. Há percepções divididas em relação ao seu desempenho na defesa da democracia, respeito à Constituição e profissionalismo, que têm as melhores avaliações.

As dimensões em que há saldos mais negativos são sobre reformas para melhorar o funcionamento do judiciário e na imparcialidade entre rivais políticos.

PGR: Jair Bolsonaro e mais 33 aliados são denunciados em cinco crimes

Do Conjur e PGR

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi denunciado nesta terça-feira, dia 18, por cinco crimes: golpe de Estado; organização criminosa; tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito; dano qualificado contra patrimônio da União; e deterioração do patrimônio tombado.

A denúncia é assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Além de Bolsonaro, foram denunciados Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa; Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Informação (Abin); Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa; e Almir Garnier Santos, almirante de esquadra, entre outros.

A acusação tem por base uma investigação da Polícia Federal que detectou a existência de uma organização criminosa que teria atuado em 2022, de forma coordenada, para manter Bolsonaro no poder.

A análise da denúncia será feita pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, em data a ser marcada. O colegiado é composto pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.

Os 34 denunciados são acusados de cometer os seguintes crimes:

  • organização criminosa armada (art. 2º, caput, §§2º, 3º e 4º, II, da Lei n. 12.850/2013);
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal);
  • golpe de Estado (art. 359-M do CP);
  • dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima (art.163, parágrafo único, I, III e IV, do CP);
  • deterioração de patrimônio tombado (art. 62, I, da Lei n. 9.605/1998).

Ação planejada – De acordo com as investigações, o plano teve início em 2021, com os ataques sistemáticos ao sistema eletrônico de votação, por meio de declarações públicas e na internet. Em julho do ano seguinte, o então presidente da República se reuniu com embaixadores e representantes diplomáticos acreditados no país para verbalizar as conhecidas e desmentidas acusações sobre fraudes nas urnas eletrônicas, na tentativa de preparar a comunidade internacional para o desrespeito à vontade popular nas eleições presidenciais.

Durante o segundo turno das eleições, foram mobilizados aparatos de órgãos de segurança para mapear e impedir eleitores de votar no candidato da oposição. E as pessoas envolvidas nessa etapa atuavam na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, facilitando os atos de violência e depredação, em 8 de janeiro de 2023.

Ao não encontrarem falhas no sistema eleitoral, os envolvidos mantiveram o discurso de fraude e mantiveram a militância com os acampamentos montados em frente a quartéis do Exército em várias capitais do país.

Em outra frente, a organização criminosa pressionou o Comandante do Exército e o Alto Comando, formulando cartas e agitando colegas em prol de ações de força no cenário político para impedir que o presidente eleito assumisse o cargo. A denúncia aponta a elaboração de minutas de atos de formalização de quebra da ordem constitucional, dentre os quais se cogitava a prisão de ministros do STF.

As investigações revelaram a operação de execução do golpe, em que se admitia até mesmo a morte do presidente e do vice-presidente da República eleitos, bem como a de ministro do STF. O plano teve anuência do então presidente da República.

A violência no dia 8 de janeiro foi a última tentativa. A organização incentivou a mobilização do grupo de pessoas em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, que pedia a intervenção militar na política. Os participantes fizeram o percurso acompanhados e escoltados por policiais militares do DF, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. O episódio gerou prejuízos de mais de R$ 20 milhões.

Próximos passos – As denúncias serão analisadas pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Alexandre de Moraes.