Alunos terão que cantar hino e diretores lerem carta com slogan de Bolsonaro

Da Revista Forum 

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Presidente Jair Bolsonaro e o Ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez/Foto: Reprodução

O Ministério da Educação (MEC) encaminhou, nesta segunda-feira (25), um e-mail para as escolas do país, solicitando que as crianças sejam perfiladas para cantar o hino nacional e que o ato seja gravado em vídeo pelos diretores das instituições e enviado para o governo.

Além disso, a mensagem pede, também, que seja lida às crianças uma carta do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que termina com o slogan do governo “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”.

“Prezados Diretores, pedimos que, no primeiro dia da volta às aulas, seja lida a carta que segue em anexo nesta mensagem, de autoria do Ministro da Educação, Professor Ricardo Vélez Rodríguez, para professores, alunos e demais funcionários da escola, com todos perfilados diante da bandeira do Brasil (se houver) e que seja executado o hino nacional”, diz o texto.

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“Solicita-se, por último, que um representante da escola filme (pode ser com celular) trechos curtos da leitura da carta e da execução do hino nacional. E que, em seguida, envie o arquivo de vídeo (em tamanho menor do que 25 MB) com os dados da escola”, destaca outro trecho da mensagem.

A assessoria de imprensa do ministério afirmou que a carta é apenas uma recomendação e não uma ordem.

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“Universidade é para elite intelectual”, defende Ministro da Educação

 

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Presidente Jair Bolsonaro e Ricardo Vélez Rodríguez Ministro da Educação/Foto: Reprodução

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, afirmou que “a ideia de universidade para todos não existe” e que devem ficar reservadas apenas à “elite intelectual”. Em entrevista ao Valor Econômico , Vélez defendeu que os jovens utilizem o ensino técnico, uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha.

“As universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica [do País]”, afirmou Vélez, que afirmou buscar um modelo de educação parecido com o da Alemanha. Segundo o ministro da Educação , não há a possibilidade de cobrar mensalidade em universidades públicas, mas é “urgente” reequilibrar os orçamentos.

Vélez também defendeu que haja enxugamento no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que já havia sido iniciado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). Para ele, deve haver uma proximidade com o ensino técnico para que os jovens entrem mais rápido no mercado de trabalho, além de alteração em alguns pontos da reforma do Ensino Médio, aprovada por Temer no ano passado.

Para o ministro, os cursos técnicos trazem um retorno financeiro maior e mais rápido aos jovens do que a graduação e não faz sentido que um advogado estude por anos para “virar motorista de Uber”. “Nada contra o Uber, mas esse cidadão poderia ter evitado perder seis anos estudando legislação”, justificou.

Vélez ainda criticou o que chamou de “ideologia de gênero” nas escolas, que ensinam “menino a beijar menino e menina a beijar menina” e afirmou que a nova estratégia do MEC será “uma virada brusca” para atender municípios com apoio financeiro. “As pessoas chegaram até a escola, é hora de a escola chegar às pessoas”, afirmou.

A prioridade dos cem primeiros dias da gestão será o programa Alfabetização Acima de Tudo, que será comandado pelo secretário de alfabetização, Carlos Francisco Nadalim. Conhecido por suas posições conservadoras e um canal no Youtube onde faz críticas a educadores consagrados como Paulo Freire, ele garante que vai convocar uma conferência para ouvir especialistas de todas as vertentes em alfabetização.

ministro da Educação defendeu também defendeu as escolas cívico-militares, afirmou que o projeto é economicamente viável e disse que as escolas que quiserem aderir poderão manter seus projetos pedagógicos. “Exemplos já existentes mostram que basta meia dúzia de militares para que os traficantes parem de aliciar os jovens”, disse Vélez.

(Com informações do IG e Valor Econômico)