O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, dia 17, que conversou com o presidente Lula durante a cúpula do G7, e classificou o Brasil como um “país politicamente difícil”.
O presidente dos EUA também comentou as eleições no Brasil e confundiu Flávio Bolsonara, pré-candidato a presidente da república, com Eduardo Bolsonaro, condenado esta semana pelo STF.
Trump precisa entender que o Brasil não é quintal de ninguém. Lula deixou claro que o povo brasileiro decide sozinho o seu futuro. pic.twitter.com/WLcuCWQaKs
O Governo Lula criticou duramente a ação de “falsos patriotas envolvidos com o crime organizado” que pediram ao governo dos Estados Unidos que classificassem facções criminosas como terroristas internacionais e, assim, abrem caminho para intervenção estrangeira em nosso território.
Além de nota oficial que cita diretamente “integrantes da família Bolsonaro” como “traidores”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o tema durante cerimônia em que celebrou a retomada da produção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen). Lula disse que a intervenção estrangeira pode colocar em risco riquezas minerais e a soberania do Brasil.
AGORA: Lula diz que povo brasileiro é verdadeira vítima das facções e não o povo dos EUA. E cobra aprovação da PEC da Segurança para combater o crime organizado. “Armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil vêm dos EUA. Tem candidato à presidente que vai pedir… pic.twitter.com/HYZCGGSdMF
O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.
O Palácio do Planalto monitorou praticamente em tempo real, num grupo de pesquisa qualitativa, a reação de diversos setores da sociedade à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.
Ele tende a surpreender os que, talvez de maneira apressada, tenham celebrado a medida como de impacto amplamente positivo sobre a população brasileira.
Os resultados da investigação sobre a decisão do governo Donald Trump surpreendem porque mostram que, de modo geral, o grupo pesquisado entende a complexidade do assunto e os riscos envolvidos na ofensiva americana.
Não há quem não condene a atuação das duas organizações, o CV e o PCC. Ambas são vistas como perigosas e danosas ao país. Há quem reconheça que determinadas ações de ambos guardam semelhanças com o modus operandi de grupos.
O grupo de pesquisas —que para ser útil não pode contar somente com pessoas que apoiem o governo Lula— concentrou observações preocupadas com a preservação do patrimônio nacional e ainda manifestou desconfiança das verdadeiras intenções do presidente Donald Trump.
O encontro dos presidentes dos EUA, Donald Trump, Lula aconteceu na Casa Branca, as duas autoridades saíram da reunião comemorando. Quem esperava uma humilhação internacional a Lula, deve estar completamente frustrado.
Saio de Washington com a ideia de que demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos. Foi uma reunião muito importante com o presidente Donald Trump. O Brasil está preparado para discutir qualquer assunto com… pic.twitter.com/CKEjhm5RTQ
O presidente Lula se manifestou nas redes sociais neste domingo, dia 26, em solidariedade ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e aos participantes do jantar com correspondentes em Washington, após tiros serem disparados ontem sábado, dia 25, no local.
Lula presta solidariedade a Trump após ataque em jantar com correspondentes da Casa Branca.
O episódio ocorreu durante um jantar que reuniu jornalistas, autoridades e convidados em um hotel na capital americana. Um homem foi detido após efetuar disparos nas imediações do local. Ninguém ficou ferido.
O presidente Lula foi questionado na manhã desta terça-feira, dia 21, em relação ao imbróglio da prisão do bolsonarista e ex-deputado Ramagen. Lula, que está em agenda na Europa, disse que pode adotar a reciprocidade após os Estados Unidos pedirem a saída de um delegado da Polícia Federal do país. Ele ressaltou que não sabe o que aconteceu no caso do delegado.
“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil (…) Essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil”, destaca Lula.
O presidente Lula falou sobre o agente da Polícia Federal, ligado à prisão de Ramagem, que foi acusado de ter manipulado o sistema de imigração dos EUA: " Acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial nós vamos fazer reciprocidade com o deles no Brasil. (…)… pic.twitter.com/U8i72XB4XT
O Itamaraty informou aguardam esclarecimentos das autoridades americanas. Odelegado trabalha em conjunto com as autoridades americanas em Miami. O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que o delegado está há mais de dois anos nos EUA realizando a atividade.
O Brasil e os Estados Unidos fecharam um acordo de combate ao crime organizado.
A parceria vai permitir a troca de informações da Receita Federal com a Agência de Fronteiras dos Estados Unidos sobre cargas enviadas de navio ou avião, tudo em tempo real. No Brasil, a informação vai permitir que, antes mesmo da chegada dos contêineres, a Receita tenha como identificar produtos ilegais e acionar a Polícia Federal para apreender as cargas.
Brasil e Estados Unidos fecham acordo de combate ao crime organizado com ações conjuntas e troca de dados em tempo real.
Segundo o governo, nos últimos 12 meses, as apreensões de armas traficadas para o Brasil somam mais de 500 kg. Elas chegaram vindas principalmente da Flórida.… pic.twitter.com/h7EgWOwPv6
Os dados de inteligência da Agência de Fronteiras dos Estados Unidos serão conectados ao programa brasileiro Desarma, que reúne informações estratégicas das apreensões de armas, como tipo de material, origem declarada, logística da carga e eventuais identificadores ou números de série.
A parceria também vai ajudar no combate ao tráfico de drogas. De acordo com o governo, nos três primeiros meses de 2026 foram apreendidas no Aeroporto de Guarulhos 1,5 tonelada de drogas, principalmente sintéticas.
O silêncio de governadores e as reações contidas de outras figuras da oposição ao encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o americano Donald Trump evidenciam o momento desfavorável da direita após uma série de reveses nos últimos meses.
Depois da reunião e da foto em que os dois presidentes aparecem sorridentes lado a lado, Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO) não se manifestaram. Outro silêncio sentido foi o do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), principal comunicador digital do bolsonarismo, que nada falou.
Além da ausência de comentários por parte de nomes relevantes do campo político, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro adotaram discurso desalinhado para enfrentar a repercussão da reunião bilateral nas redes.