O que Sérgio Moro quis ao revelar o hackeamento de uma porção de autoridades foi tê-las sob seu controle.
Do presidente da Câmara, do Senado, e de ministros do STF, ao presidente da República.
“Olhe, fulano, eu sei tudo que você andou conversando”.
Daí propôs, sem ter poder para tal, destruir as provas.
Mas, é claro, guardar para ele todas elas.
De maneira a evitar embates com quem pudesse atrapalhar seus projetos, sejam eles quais forem, com relação ao STF, que terá de ser aprovado no Senado, ou às eleições de 2022.
Embora cada vez mais refém de Jair Bolsonaro, desorientado, Moro achou que pudesse virar o jogo, de denunciado para denunciante.
Deus-se mal porque manobra tão rasteira não pegou.
Seu poder de destruição diz respeito a ele mesmo.
Que invente outra enquanto convive com a veloz desconstrução de sua imagem.
A fonte que entregou os diálogos da Operação Lava Jato ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, negou em conversa no dia 5 de junho que também tenha sido responsável pela invasão ao Telegram do Ministro da Justiça, Sergio Moro. O diálogo foi repassado a VEJA pelo próprio Greenwald.
Na mensagem, o jornalista pergunta à fonte se ela havia lido uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre a invasão ao celular do ministro. O título da matéria dizia que o hacker usou aplicativos do aparelho e trocou mensagens por seis horas. “Posso garantir que não fomos nós”, responde a fonte, em mensagem transcrita de forma literal.
“Nunca trocamos mensagens, só puxamos. Se fizéssemos isso ia ficar muito na cara”, diz a fonte em outra mensagem, antes de criticar o método de ação empregado contra o ministro. “Nós não somos ‘hackers newbies’ [amadores], a notícia não condiz com nosso modo de operar, nós acessamos telegrama com a finalidade de extrair conversas e fazer justiça, trazendo a verdade para o povo.”
Segundo Greenwald, o primeiro dos contatos com a fonte ocorreu no início de maio. Ou seja, um mês antes da denúncia feita pelo Ministério da Justiça. Ele conta que foi apresentado à fonte por um intermediário, e reitera que todos os contatos foram feitos virtualmente. Greenwald também afirmou desconhecer a identidade do hacker, que teria extraído todo material do Telegram de Dallagnol.
Walter Delgatti Neto, ‘o Vermelho’/Foto: Reprodução
O jornal O Estado de SP nesta quinta-feira (25), informa a partir da confirmação de altas autoridades ligadas à operação da PF, que um dos hackers presos na última terça-feira (23), em São Paulo, identificado com Walter Delgatti Neto, ‘o Vermelho’, disse que passou dados hackeados de autoridades ao Jornalista Glenn Greenwal.
A Polícia Federal tem indícios de que os quatro suspeitos presos são os mesmos que acessaram conversas trocadas pelo Telegram de várias autoridades dos Três poderes, entre elas, Sérgio Moro, o ministro da Economia, Paulo Guedes; e a líder do governo Bolsonaro no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP).
Coincidente a deputada Joice Hasselmann e o ministro Paulo Guedes anunciaram que seus celulares teriam sido invadido na véspera da realização da Operação, que prenderam os quatro hackres’.
Os investigadores tratam o relato do hacker com cautela, uma vez que ele é apontado como estelionatário. Razão pela qual tudo o que ele informar será investigado, especialmente a partir da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do grupo, autorizada pelo juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília.
brasil 247 – Walter Delgatti Neto, um dos quatro supostos hackers presos na terça-feira (23) pela Polícia Federal, comentou sobre de que maneira as investigações poderiam demonstrar que, mesmo com o histórico de conversas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol no Telegram tendo sido apagado, seria possível identificar a autenticidade das mensagens trocadas entre o ex-juiz e o chefe da Lava Jato em Curitiba, informa o BR18.
“No Twitter, em resposta a uma mensagem em que Deltan alega que após os ataques terem sido identificados, a decisão foi de ‘desativar a conta’, o suposto hacker indicou: ‘Mesmo apagando tudo, os caches ficam no celular, eles são arquivos fragmentados, sem o conteúdo da mensagens, mas com todas saídas e entradas de mensagens, EX: 23/04/2016 15:15:17 saiu uma mensagem, 15:30:18 recebeu uma, e se comparado com o material vai confirmar autenticidade!’, escreveu em 20 de junho, poucos dias após as primeiras reportagens serem publicadas. O conteúdo da Vaza Jato, aliás, é o principal assunto compartilhado por Walter na rede social”, conta a reportagem.
São Paulo refere-se assim à omissão: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero.”
“Neutro é o que já se decidiu pelo mais forte”, cravou Max Weber.
Aqueles que vivem hipotecando solidariedade a Míriam Leitão por qualquer coisa — inclusive as cascatas que ela inventa sobre xingamentos em aviões — vergam diante da escalada autoritária de Sergio Moro contra Glenn Greenwald.
Numa delação (ainda não se sabe se premiada), um dos “hackers” de Araraquara afirmou que o que divulgado pelo Intercept é fruto da invasão dos celulares.
Noves fora o fato de que isso não deslegitima o que foi publicado, cuja autenticidade foi confirmada por Folha, Veja e El País, Sergio Moro resolveu partir para tudo ou nada sem ser incomodado.
Vale lembrar que não há crime em publicar esse material, ainda que vazado por essas pessoas.
Moro mobilizou sua Polícia Federal numa operação que lhe interessa, num franco atropelo da democracia e do Direito.
A ideia é intimidar e, mais tarde, dependendo dos cálculos, prender Greenwald.
Daí em diante serão alvos todos aqueles que ele enxergar como inimigos, não apenas dele, mas do Estado, já que ambos se confundem numa mente autoritária e sem limite.
Enquanto isso, o silêncio dos covardes é ensurdecedor.
Quando Míriam foi vetada de uma feira do livro por causa de postagens no Facebook, a grita dessa brava gente inundou as redes sociais.
Não se ouve um pio.
É preciso falar. O DCM vai continuar gritando ao seu lado.
A Globo, que dedicou um editorial do Jornal Nacional à defesa da mesma Míriam que se ajoelhou, por ordem dos Marinhos, diante de Bolsonaro, escala colunistas como Merval para justificar o chefe da Lava Jato.