Os indicadores sociais divulgados pelo IBGE e o golpe de 2016

 

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Foto: Reprodução

Por Rafael da Silva Barbosa*

O recém-divulgado documento do IBGE – Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2018 – é uma ótima oportunidade para se discutir os impactos sociais do golpe de Estado, de 31 de agosto de 2016[1].

Dentre os impactos, se destacam o retorno da concentração de renda, o aumento da pobreza monetária e não monetária e a relativa estagnação das condições da educação.

Para o primeiro ponto, o gráfico 1 é elucidativo. A razão entre os rendimentos volta a crescer, exatamente, no ano em que se consumou o golpe. Em 2016, já com a posse do governo golpista, o fim da política de valorização do salário mínimo e a aprovação da reforma trabalhista, em julho de 2017, que aumentou a proporção de trabalhadores por conta própria e sem carteira de trabalho, agravaram o grau de concentração de renda no Brasil.

Segundo a publicação do IBGE, as taxas de desocupação e de subutilização mostraram forte crescimento nos anos de 2015 a 2017, com maior força nos dois últimos anos da série.

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Pobres ficam mais pobres e ricos mais ricos no governo Temer

 

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Foto: limpinhoecheiroso.com

O grupo dos 10% mais ricos do Brasil concentra 43,1% da renda, segundo pesquisa sobre a desigualdade divulgada nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na média nacional, os mais ricos chegam a receber 17,6 vezes mais que o grupo dos mais pobres.

De acordo com os dados sobre a desigualdade no Brasil, o rendimento médio mensal (que inclui a renda proveniente do trabalho, os rendimentos de aposentadoria, pensão, aluguel e programas sociais) per capita em 2017 foi de R$ 6.629 para a parcela que representa os brasileiros mais ricos, enquanto entre os 40% mais pobres, o rendimento médio cai para R$ 376.

Enquanto os mais ricos concentram quase metade da renda nacional, o grupo dos 40% mais pobres retém apenas 12,3% do capital, segundo os dados do ano passado. Em 2016, o grupo mais rico concentrava 42,9% do rendimento total, já o mais pobre detinha 12,4%.

Segundo o pesquisador do IBGE  Leonardo Athias, a variação não é considerada “muito expressiva”, mas o índice em si indica a existência de um “problema grave”. “Isso mostra que você tem uma estrutura de renda muito concentrada numa parcela pequena da população, o que é um problema grave. Pelos estudos globais, isso atrapalha outros aspectos da vida: gera altos níveis de violência, o foco das decisões é em curto prazo, promove insegurança alimentar, falta de investimento em capital humano, problemas na saúde, em saneamento…”

O índice de palma, que apresenta a razão do rendimento dos 10% mais ricos em comparação com os 40% mais pobres do país, apresenta que a concentração de renda aumentou entre 2016, passando de 3,47 para 3,51.

Isso significa que o rendimento do grupo dos ricos é 3,5 vezes maior que o grupo dos pobres, ou seja, um décimo da população ganha 3,5 vezes mais do que os 40% mais pobres. No ano passado, o rendimento per capita no Brasil foi de R$ 1.511 mensais.

A pesquisa destaca que 73,8% do rendimento médio era proveniente do trabalho , 19,4% de aposentadorias ou pensões e apenas 6,9% de outras fontes de renda, como aluguel, doações e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família .

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Concentração de renda e rendimento per capita por regiões e capitais mostram alastramento da desigualdade

No recorte por regiões , o Nordeste apresenta a maior desigualdade na comparação de renda entre os mais ricos e os mais pobres. Entre os estados nordestinos, os 10% mais ricos ganhavam 20,6 vezes mais que os 40% mais pobres no ano passado.

Completam a lista, na ordem, a Região Norte, com diferença de 18,4 vezes, o Centro-Oeste, de 16,3 vezes, o Sudeste, com cerca de 11,4 vezes. A menor desigualdade foi observada na Região Sul, onde o grupo dos mais privilegiados ganhava cerca de 11,4 vezes mais que os mais pobres.

A origem da renda no recorte regional mostra o Centro-Oeste com a maior concentração de rendimento proveniente do trabalho, enquanto o Nordeste apresenta maior percentual de rendimento originado de aposentadorias e pensões e outras fontes, que incluem programas sociais. A lista completa:

  • Nacional – 73,8% de trabalho, 19,4% de aposentadoria e pensão e 6,9% de outras fontes;
  • Norte – 77,1% de trabalho, 15% de aposentadoria e pensão e 7,8% de outras fontes;
  • Nordeste – 67,4% de trabalho, 23,8% de aposentadoria e pensão e 8,8% de outras fontes;
  • Sudeste – 75% de trabalho, 18,6% de aposentadoria e pensão e 6,4% de outras fontes;
  • Sul – 73,3% de trabalho, 20,4% de aposentadoria e pensão e 6,3% de outras fontes;
  • Centro-Oeste – 77,8% de trabalho, 15,7% de aposentadoria e pensão e 6,5% de outras fontes.

O Instituto divide ainda a concentração de renda e o rendimento per capita por estados e capitais , revelando que os maiores valores se dão, respectivamente, no Distrito Federal e na capital Brasília.

No Distrito Federal, o grupo dos 10% mais ricos ganha 5,57 vezes mais do que os 40% mais pobres, na maior concentração de renda em um estado brasileiro. O menor valor é registrado em Santa Catarina, onde cai para 2,14 vezes mais. São Paulo e Rio de Janeiro são, respectivamente, 11º e 21º com maior concentração.

O rendimento per capita da capital federal é de R$ 13.905 entre os 10% mais ricos, o maior valor em território nacional. Os 40% mais pobres de Brasília, por sua vez, recebem R$ 583, menos do que os de Goiânia, a capital mais próxima (que tem renda per capita entre os 40% mais pobres de R$ 657).

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O pico da desigualdade na renda per capita entre capitais se dá entre o Maranhão, em que os 40% mais pobres ganham R$ 167, e Brasília, onde a renda per capita dos 10% mais abastados é de R$ 13.905.

Informações: iG- Economia