Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, covas à espera dos mortos pela covid-19 na pandemia de coronavírus Imagem: Nelson Almeida/AFP
Do Uol
O Ministério da Saúde anunciou hoje que subiu para 800 o número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil — 133 óbitos confirmados nas últimas 24 horas. Até ontem, eram 667 mortes.
No total, são 15.927 casos oficiais no país até agora — aumento de 2.210 diagnósticos no país em um único dia —, segundo o Ministério.
A taxa de letalidade — que compara os casos já confirmados no Brasil com a incidência de mortes — é de 5%. O Ministério da Saúde ainda não divulga dados oficiais sobre o número de pessoas que se curaram da covid-19.
No total, as mortes relacionadas ao vírus em cada estado são: Acre (2); Alagoas (2), Amapá (2); Amazonas (30); Bahia (15); Ceará (43); Distrito Federal (12); Espírito Santo (6); Goiás (7); Maranhão (11); Mato Grosso (1); Mato Grosso do Sul (2); Minas Gerais (14); Pará (6); Paraná (17); Paraíba (4); Pernambuco (46); Piauí (5); Rio Grande do Norte (11); Rio Grande do Sul (9); Rio de Janeiro (106); Rondônia (1); Roraima (1); Santa Catarina (15); São Paulo (428); Sergipe (4).
O único estado que ainda não contabiliza nenhuma morte relacionada ao coronavírus é o Tocantins.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, publicou ontem, ao lado de especialistas, um relatório que indica que é esperado um aumento do número de casos de covid-19 no Brasil para os próximos meses, tendo como pico entre abril e maio.
Segundo dados da pesquisa Datafolha divulgados nesta terça-feira (7), pelo jornal Folha de S.Paulo a Pandemia do Coronavírus fez avaliação negativa do presidente Bolsonaro subir entre mais pobres.
Para esse seguimento da população que têm renda familiar de até dois salários mínimos, o desempenho de Bolsonaro no enfrentamento da crise é ruim ou péssimo para 40%. Há duas semanas o percentual era de 33%.
A pesquisa mostra outras variações que justificam a queda de popularidade de Bolsonaro.
A reprovação passou de 29% para 36% para os que recebem de dois a cinco salários. Para os que tem renda de cinco a dez salários, o aumento foi 34% para 42%. Já os que tem renda superior a dez salários houve queda de 51% para 46%.
De acordo com a Pesquisa XP, divulgada nesta sexta-feira (3), a parte da população que classificam o trabalho dos governadores como “bom” saltou de 26% em março para 44% em abril. Desde que iniciou em outubro de 2019, é a primeira vez que a atuação positiva dos governadores supera a negativa e a regular.
O crescimento da avaliação positiva dos governadores está relacionada com opinião de 80% dos entrevistados que aprovam isolamento social, que consideram a melhor forma de se prevenir contaminação do novo coronavírus.
Declaradamente contrário à medida, o presidente Jair Bolsonaro, teve avaliação do seu governo muito ruim. O número dos que consideram o governo ‘ruim ou péssimo’, subiu para 42%, em março era 36%.
Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP), obtido em primeira mão pelo Valor, mostra que robôs foram responsáveis por mais da metade das publicações favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro no Twitter. Por meio de ferramentas de ciência de dados, as professoras Rose Marie Santini, da UFRJ, e Isabela Kalil, da Fesp, demonstram que robôs responderam por 55% dos 1,2 milhão de posts que usaram a expressão #BolsonaroDay para homenagear o presidente em 15 de março, dia de atos de rua pró-governo.
A pesquisa identificou a ação de 23,5 mil usuários não humanos a favor do presidente em um universo total de 66 mil usuários que publicaram a “hashtag” naquele dia. É um exército de “bots” e ciborgues criados, cultivados e programados para fazer bombar o assunto que for conveniente para quem os comanda, no exato momento escolhido para o ataque.
A essa tropa somam-se 1,7 mil contas que publicaram sobre #BolsonaroDay e, horas depois, foram apagadas do Twitter. O comportamento, segundo as pesquisadoras, é típico de bots. Antes de sumir, o grupo foi responsável por 22 mil tuítes a favor de Bolsonaro.
As informações foram processadas no software com inteligência artificial “Gotcha”. O classificador de bots foi desenvolvido nos últimos dois anos pelo Laboratório de Microssociologia e Estudo de Redes (NetLab) da UFRJ, com apoio da startup Twist System. A parceria com o Núcleo de Etnografia Urbana (NEU) da Fesp consistiu em treinar, ao longo de um ano, o algoritmo para funcionar com base em um banco de dados de temas relacionados à política brasileira.
Os grupos são coordenados por Marie, no Rio, e Isabela, em São Paulo, e reúnem 12 pesquisadores.
O “Gotcha”, referência ao termo em inglês para “te peguei”, tem funções semelhantes ao americano “Botometer”. A ferramenta da Universidade de Indiana é usada para identificar a participação de robôs em redes sociais para conteúdos em língua inglesa. Foi com o processamento do “Botometer” que um estudo da Universidade de Oxford apontou que, em 2016,18% do conteúdo das eleições americanas e 32% dos posts sobre Brexit vieram de bots. Esses momentos são referências internacionais da manipulação das redes por robôs – superados agora de longe pelos 55% de tuítes pró-Bolsonaro.
“Um uso massivo de robôs não quer dizer necessariamente que aquela campanha nas redes sociais está fraca e precisou sser inflada”, explica a doutora em Antropologia Social e autora do estudo Isabela Kalil. “O bot não vota nem adoece de covid-19, por exemplo, mas influencia a forma como os humanos votam e se previnem ou não diante de uma pandemia.”
Os atos de 15 de março aconteceram nos primeiros dias da eclosão do coronavírus no Brasil. Na época, a recomendação das autoridades de Saúde já era para que se evitasse aglomerações. Depois de convocar as manifestações via WhatsApp, Bolsonaro tinha desestimulado as pessoas a irem às ruas em live no Facebook. No domingo, os atos aconteceram com público pequeno.
A surpresa foi a aparição do presidente no meio da concentração de gente em Brasília. Ele apertou a mãos de apoiadores e tirou selfies. Bolsonaro tinha voltado dos Estados Unidos dias antes, em uma comitiva em que vinte pessoas vieram contaminadas com coronavírus. O presidente diz que seu teste para a doença deu negativo.
Se, nas ruas, a movimentação foi reduzida nesse dia, nas redes ela explodiu. #BolsonaroDay entrou nos Trending Topics mundiais do Twitter, ou seja, foi um dos dez assuntos mais falados no globo. “Como as redes sociais foram criadas para a interação entre pessoas, há um subtexto de que o que está no Twitter é a voz do povo”, analisa Marie Santini, pós-doutora em Ciência da Informação e autora da pesquisa. “Mas as redes sociais são passíveis de muita manipulação.” (Valor Econômico)
O presidente Bolsonaro e seu governo estão proibidos de adotarem medidas contra o isolamento social, recomendação da Organização Mundial de Saúde para prevenção do novo coronavírus.
Dois decretos do presidente que ia nesse sentido foram suspensos, o que classificava as igrejas e casas lotéricas como serviços essenciais, o que, na prática, permitia o funcionamento desses estabelecimentos, mesmo em estados em que os governos municipais ou estaduais tivessem proibido aglomerações.
O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF). Na decisão, o juiz da 1ª Vara Federal de Duque de Caxias, Márcio Santoro Rocha, determinou que o governo federal e a prefeitura da cidade de Duque de Caxias, “se abstenham de adotar qualquer estímulo à não observância do isolamento social recomendado pela OMS”, a multa em caso de desobediência é de R$ 100 mil.
O presidente vem afirmando que o isolamento social não é a medida mais eficaz contra a pandemia do coronavírus. Com os dados e os conselhos da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde, secretarias estaduais da saúde e maiores cientistas de todo mundo, é possível afirmar que ou o presidente está mentindo ou está extremamente mal informado.
Para Bolsonaro, quem tem seguido os conselhos dos órgãos acima mencionados, está agindo com “histeria”. Sem apresentar um dado científico, o presidente tem pedido abertamente, inclusive em campanha bancada com dinheiro público, para as pessoas voltarem as atividades normal.
O coronavírus já vitimou fatalmente 23.335 seres humanos no mundo e já contaminou 509.164 pessoas. Estamos falando de meio milhão de vidas.
No Brasil a situação não é nada esperançosa. Em um mês desde que a doença chegou por aqui, são 3.417 pessoas infectadas e 92 mortos. (Informações Congresso em Foco)
Os governadores da Região Nordeste voltaram se posicionar nesta sexta-feira (27), em relação a posição do presidente Jair Bolsonaro, que defende o fim do isolamento social, adotado no país como medida de prevenção recomendada pelo Organização Mundial de Saúde, infectologistas, entidades médicas e especialistas em epidemias.
NOTA DOS GOVERNADORES DO NORDESTE
“Nós, governadores do Nordeste, em videoconferência realizada neste dia 27 de março, assim nos manifestamos:
1) Com bom senso e equilíbrio, vamos continuar orientados pela ciência e pela experiência mundial, para nortear todas as medidas, diariamente avaliadas, nesta guerra travada contra o Coronavírus. Reiteramos que parâmetros científicos indicam as ações preventivas e protetivas, de intensidade gradual e estágios progressivos ou regressivos, adequando-as sempre à realidade de cada região de nossos Estados;
2) Na ausência de efetiva coordenação nacional, que deveria ser assumida pelo Governo Federal, em articulação com os demais entes federativos, buscaremos avançar na integração regional e com as demais regiões, mobilizados pelo objetivo de salvar vidas e amenizar os impactos negativos sobre a economia dos estados. Acreditamos também que o Congresso Nacional tem papel decisivo no atual momento da vida brasileira;
3) Dispostos a fortalecer o embasamento de cada uma das nossas medidas, já construídas sobre as bases apresentadas pela OMS, solicitaremos um pronunciamento oficial do Conselho Federal de Medicina, do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde e da Sociedade Brasileira de Infectologia, além do acompanhamento e orientação do Ministério Público Federal e do Ministério Público dos Estados;
4) Manifestamos nossa profunda indignação com a postura do Governo Federal, que contraria a orientação de entidades de reconhecida respeitabilidade, como a OMS – que indicam o isolamento social como melhor forma de conter o avanço do Coronavírus -, e promove campanha de comunicação no sentido contrário, estimulando, inclusive, carreatas por todo o país contra a quarentena. Este tipo de iniciativa representa um verdadeiro atentado à vida;
5) De nossa parte, exigimos respeito por parte da Presidência da República, esperando que cessem, imediatamente, as agressões contra os governadores, assumindo-se um posicionamento institucional, com seriedade, sobre medidas preventivas. A omissão em padronizar normas nacionais e a insistência em provocar conflitos impedem a unidade em favor da saúde pública. Assim agindo, expõe-se a vida da população, além de assumir graves riscos no tocante à responsabilidade política, administrativa e jurídica;
6) Enfatizamos que sempre estaremos abertos ao diálogo, neste esforço que precisa ser coletivo, tendo como meta a superação da ameaça representada por esta doença, que continua matando milhares de pessoas. Temos absoluta convicção de que o diálogo, o equilíbrio e a união serão sempre o melhor caminho para revertermos este quadro crítico. Seguimos firmes e vigilantes em defesa da vida das pessoas, inclusive na luta para impedir atos que possam significar riscos à saúde pública.”
O Comitê Científico de Prevenção e Combate ao Coronavírus no Maranhão defendeu em reunião com o governador Flávio Dino, nesta sexta-feira (27), para defender as medidas preventivas adotadas pelo Governo do Estado, entre elas, o isolamento social.
O comitê se reunirá a cada 48h para analisar a situação a crise sanitária, e para definir novas ações com base na ciência e opiniões de especialistas, especialmente infectologistas.
O comitê científico é formado pelos Dr. Rodrigo Lopes, Dra. Giselli Boumman, Dra. Conceição Pedroso, Dr. Edilson Medeiros e Dr. Marcos Pacheco. A coordenação é feita pelo secretário de Saúde, Carlos Lula, e a subsecretária de Saúde, Karla Trindade.
Com o cenário inédito da Praça São Pedro vazia com o Papa Francisco diante da Basílica Vaticana, o Pontífice afirmou que é “diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos povos”. Francisco falou ainda da ilusão de pensar “que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente”.
Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.
E foi esta passagem bíblica que inspirou a homiliado Santo Padre, que começa com o “entardecer…”. (Vaticano News)