Entrevista concedida a TVT na noite de ontem, quinta-feira (13), aos jornalistas Juca Kfouri e José Trajano. É a primeira entrevista concedida pelo ex-presidente Lula, após as revelações do Site The Intercept, sobre as suspeitas da relação do ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dellagnol no âmbito da Lava Jato.
Após o Site The Intercept Brasil e seus membros sofrerem uma verdadeira ofensiva, para desqualificar o trabalho deles e as denuncias publicadas em relação a Lava Jato, o jornalista e editor do Intercept, Leandro Demori, avisou no twitter que não temem o Sistema porque estão com a verdade.
Ex-juízes federais Flávio Dino (governador do Maranhão) e Sérgio Moro (Ministro da Justiça)/Foto: Reprodução
Ainda sobre as relações, diálogos e ações suspeitas da Lava Jato entre o ex-juiz federal Sérgio Moro e os procuradores da Força Tarefa, o também ex-juiz federal e governador do Maranhão, Flávio Dino, descreveu no twitter sua conduta durante seus 12 anos na magistratura.
247 – O deputado Ro Khanna, da Califórnia, pediu ao governo Trump para investigar o caso envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil. O pedido se deu após a denúncia do The Intercept que mostrou o ex-juiz Sérgio Moro tramado com promotores ações ilegais para condenar o ex-presidente e impedir que o PT retornasse ao governo após ter sofrido um golpe em 2016.
Khanna afirmou ao site The Intercept: “esta reportagem confirma o que sabíamos o tempo todo – que Moro era um péssimo ator e parte de uma conspiração maior para mandar Lula para a cadeia (…) Embora não seja o caso de os Estados Unidos fazerem um julgamento factual sobre a inocência de Lula, essa reportagem mostra que Moro não era imparcial, mas ‘coordenado’ com os promotores. Isso viola todas as normas e ética judiciais. Espero que a administração Trump apoie uma investigação completa sobre este assunto, uma vez que Lula ainda está na prisão e Moro é ministro da Justiça de Bolsonaro.”
A reportagem destaca que “o presidente Donald Trump abraçou Jair Bolsonaro, o presidente de direita do Brasil que, como Trump, tem uma história de declarações fanáticas, homofóbicas e misóginas.”
E acrescenta: “no domingo, o The Intercept e o The Intercept Brasil publicaram trechos de uma enorme quantidade de documentos secretos, incluindo admissões privadas de dúvidas dos promotores sobre se havia provas suficientes para provar a culpa de Lula. A ampla investigação sobre corrupção, conhecida como Operation Car Wash, remonta a cinco anos e resultou em centenas de pessoas acusadas de centenas de crimes.”
A matéria ainda sublinha que “Lula, que foi eleito presidente em 2002 e 2006, foi indiciado sob a investigação e considerado culpado em 2017 de corrupção e lavagem de dinheiro, acusações relacionadas à aceitação de propinas de empresas de construção. Ele foi condenado a quase 10 anos de prisão. O aprisionamento de Lula o forçou a sair da corrida presidencial de 2018, que se esperava que ele vencesse; isso pavimentou o caminho para Bolsonaro, que então nomeou Moro como ministro da justiça. De acordo com o arquivo, a promotoria também trabalhou em estratégias para evitar uma entrevista na prisão com Lula durante a eleição, com medo de ajudar o Partido dos Trabalhadores.”
Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB)/Foto: Reprodução
Apesar do jornalista Glenn Greenwald e nenhum dos membros do The Intercept dizerem que as mensagens envolvendo o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato foram obtidas através de ações de rackers, foi criado em setores da imprensa, meios jurídicos e redes sociais um debate se as mensagens servem ou não como prova.
A narrativa foi levantada principalmente por setores da imprensa mais alinhados ao governo e partidários do presidente Bolsonaro, do ministro Mouro e do procurador Deltan Dallagnol. O governador, Flávio Dino, comentou sobre o assunto na sua conta no twitter.
De acordo com Dino, prova oriunda da ação de rackr ou espionagem é ilícita, mas não são descartáveis. “Se realmente uma prova for oriunda de hacker ou espionagem, ela é ilícita. Mas pode ser usada para preservar ou restabelecer a liberdade de um acusado, em face do princípio da proporcionalidade. Logo, a prova não pode ser ignorada ou jogada no lixo”, disse Flávio Dino.
O governador Flávio Dino, ex-juiz federal, vai além ao chamar atenção para um aspecto imperativo no contexto da crise envolvendo a Lava Jato, as instituições e agentes públicos, que é o dever de esclarecem sobre fatos tornados públicos. “Assim, é errado uma autoridade se refugiar no “nada a declarar”, que o ministro da ditadura Armando Falcão tanto usava. Toda autoridade pública tem o DEVER de prestar contas sobre seus atos funcionais”, ponderou Dino.
Ainda sobre a hipótese das mensagens virem ser obtidas de maneira ilícita, o governador alerta que mesmo assim, elas devem ser investigadas, provadas e não excluído a análise do conteúdo. “Não adianta deslocar o debate público apenas para a forma de obtenção da prova. Eventual ação de hackers deve ser investigada e provada. Mas isso não exclui a análise do conteúdo da prova, mesmo que realmente seja ilícita, quando isso proteger o direito à liberdade de um acusado”, concluiu Flávio Dino que ex-juiz federal.
O serviço de mensagens russo Telegram divulgou nesta terça-feira, 11, uma nota garantindo a inviolabilidade do aplicativo, após vazamento de conversas entre o ministro Sérgio Moro e o promotor Daltan Dallagnol, divulgados pelo site The Intercept Brasil, no último domingo, 9.
A empresa afirmou que, em seis anos de existência, nunca compartilhou um único byte de informação para terceiros, como China, Irã e Rússia, que atualmente bloquearam o aplicativo em seus países, por não terem acesso ao conteúdo.
O Telegram afirma que seu script de segurança nunca foi descoberto, apesar de pesadas tentativas para invadir o aplicativo.
Denuncias do The Intercept colocou no ‘olho do furacão’ ministro Sérgio Moro e o procurador e coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, com isso a crise moral e ética no Brasil atinge o ápice.
O modelo adotado no andamento da Lava Jato, que está com os dias contados, deu uma projeção incomum aos seus membros, em especial o ex-juiz Sérgio Moro e coordenador da Força Tarefa, alçados a condição de celebridades.
Rodrigo Maia, Dias Toffoli e Davi Alcolumbre/Foto: Reprodução
De acordo com a Folha de São Paulo, há possibilidade real de desdobramentos no Congresso Nacional, inclusive uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), relacionado ao vazamento das conversas envolvendo Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e a lava Jato.
O Palácio do Planalto adotou inicialmente cautela em relação ao caso, algo incomum no atual governo. O presidente Jair Bolsonaro teria sido orientado se afastar ao máximo da polêmica, mas a qualquer momento terá que se posicionar.
Os presidentes da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Davi Alcolumbre (DEM-AP) e o presidente do STF, Dias Toffoli, se reuniram na manhã desta segunda-feira (10), para avaliarem a crise envolvendo as conversas do ex-juiz Sérgio e Procuradores da Lava Jato.
É aguardado com expectativa a opinião do presidente Bolsonaro, sobre a repercussão e gravidade do caso envolvendo mais um membro do seu governo, o super-ministro Sérgio Moro.