Donald Trump (Presidente dos EUA) e Jair Bolsonaro (Presidente do Brasil)/Foto: Reprodução
Segundo a Folha de São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro recuou do desejo de autorizar aos Estados Unidos instalarem uma base militar em território brasileiro. A informação teria sido repassada às Forças Armadas por interlocutores próximos do presidente. Um dos motivos foi a repercussão negativa do interesse de Bolsonaro, junto aos generais que são contrários.
Jair Bolsonaro e sua família não escondem a admiração que nutrem pelos Estados Unidos, em especial pelo presidente Donald Trump. Quanto a possibilidade de instalação da base militar norte-americana em território nacional, a informação foi dada pelo próprio Bolsonaro em entrevista ao SBT semana passada, e comemorada pelo governo Americano.
Ao se referir aos EUA o presidente Bolsonaro costuma dizer que seu interesse com o governo norte-americano é “uma questão econômica, mas pode ser bélica também”. Ele também espera com grande ansiedade se encontrar com o presidente Donald Trump, o que pode acontecer ainda este ano.
Flávio Dino (Governador do Maranhão)/Foto: Albani Ramos
Folha de São Paulo – Empossado para mais quatro anos como governador Maranhão, Flávio Dino (PC do B) prevê um ciclo de baixo crescimento econômico e dificuldades para os estados.
À frente de um dos estados mais pobre do país, diz que buscará uma relação institucional respeitosa com o presidente Jair Bolsonaro, mesmo lhe fazendo oposição.
Por outro lado, critica a “lógica de confrontos eternos” de Bolsonaro e seus ministros: “É como se fosse um amor pela guerra”.
O senhor assume para um segundo mandato enfrentando um cenário econômico ainda mais complexo do que em 2015. Será um ciclo de maior dificuldade?
Acho que teremos um crescimento econômico baixo, mas a gente consegue atravessar 2019. Conseguimos terminar o primeiro mandato com o salário dos servidores em dia e com as dívidas com os bancos sendo pagas normalmente. Temos algum atraso com fornecedores, mas nada alarmante. De qualquer forma, desde novembro estamos fazendo um ajuste nas despesas, com renegociação de contratos em várias áreas.
Sendo um governador de um partido de oposição ao presidente, como pretende conseguir repasses voluntários do governo federal?
Não faço planejamento contando com novos recursos federais. Não está na minha contabilidade. Se aparecer [o recurso], ótimo. O que espero do governo federal é que ele faça sua parte, garantindo estabilidade e crescimento da economia.
Mas o senhor buscará pontes com o presidente?
Nosso desejo é que a relação com o novo governo se dê normalmente como aconteceu como Michel Temer. Fui oposição a Temer, mas tivemos uma relação institucional absolutamente normal. Eu não vou renunciar a nenhuma das minhas posições e o presidente não vai renunciar às dele. Mas espero que tenhamos uma relação em termos respeitosos e não em uma lógica de confrontos eternos.
Como avalia as primeiras medidas do presidente Bolsonaro?
Esses primeiros dias já mostram um traço muito preocupante do presidente e de seus ministros que é o de criar conflitos, como se fosse um amor pela guerra. Isso é ruim, pode criar uma espiral negativa que contamina o ambiente político. Por exemplo, o presidente atendeu ao pedido do Ceará de envio Força Nacional, mas fez criando conflito. Criticou o governador [Camilo Santana, do PT], dizendo que ele é radical. Achei muito estranho, esquisito. Ele trata o envio da Força Nacional como se fosse um favor. Não é um favor, é um dever, uma obrigação. São os estados que mantêm a Força Nacional.
Como vê as declarações do presidente de combater o socialismo e o comunismo?
Ninguém é obrigado a concordar com a ideologia alheia, mas tem que conviver. A Constituição garante o pluralismo político. Não cabe a nenhum ator político fazer expurgos e eliminar os diferentes. Fico em dúvida se o governo tem uma concepção ideológica de eliminar os adversários ou se isso é uma mera distração. Na ausência de uma agenda mais substantiva, com início, meio e fim, se recorre a esses expedientes como discutir cor de roupa ou demitir funcionário porque escreveu ‘Marielle vive’. O Brasil não está acostumado a ver isso em um governo. Espero que seja uma coisa de início e que depois ele mude.
O governo do Maranhão publicou um decreto do Escola sem Censura, uma espécie de contraponto ao Escola sem Partido. Vê eficácia em medidas como esta?
O nosso decreto é para dar segurança jurídica. É simplesmente o cumprimento da Constituição, que prevê a liberdade de cátedra. Já o Escola sem Partido é o nome fantasia para escola com censura, escola que quer constranger professores e estudantes a se enquadrarem em um manual ditado de cima para baixo. É retroceder 300 anos e voltar para o período pré-iluminista.
Como vê o futuro da esquerda no Brasil, agora na oposição?
A união é um valor necessário. E temos que ir ao ponto substantivo: ter uma posição firme em defesa dos direitos dos mais pobres. Defender os direitos dos trabalhadores, índios, mulheres, crianças, todos que estão no alvo de políticas do novo governo. A gente não cair num desejo aparente de certas figuras do governo de ficar batendo boca pura e simplesmente.
O senhor fala em união, mas o PC do B ensaia um bloco parlamentar com PSB e PDT, mas sem o PT. Não é um contrassenso?
Este bloco não é uma novidade. Já o fizemos em 2007, quando eu era deputado federal, e funcionou muito bem. Isso não elimina o diálogo, já que não será um bloco contra o PT. Ninguém do nosso campo pode ser contra o maior partido da oposição e o maior líder popular da história desse país. Mas temos a nossa identidade, nossas nuances, nossa história e é normal que neste período nós reforçarmos isso. Não significa hostilizar o outro.
Antes da eleição, em maio, o senhor defendeu Ciro Gomes como candidato das esquerdas em um cenário sem Lula. Olhando para trás, acha que foi um erro apostar em Fernando Haddad?
Naquele momento [maio de 2018] defendi o Ciro, mas poderia ser o Haddad. O que lamento mesmo foi não ter sido feita uma união mais ampla já no primeiro turno. O resultado mostrou que, com uma união mais ampla no primeiro turno, chegaríamos ao segundo turno em um patamar maior. Haddad cresceu quando houve essa união, uma articulação ampla com professores, intelectuais, sindicalistas. A sociedade se uniu.
Há um candidato natural para 2022?
É muito cedo para discutir isso. Temos que saber qual o futuro de Lula, como Ciro vai se comportar, se Haddad vai manter a liderança que conquistou com a eleição. Vamos esperar o curso do processo político. Tenho certeza que sentimento da sociedade será transformado. O governo que assumiu, infelizmente, vai cometer muitos erros.
A quem o apresentador Fausto Silva, da TV Globo, se referia quando disse a seguinte frase em seu programa nesse domingo:
“O imbecil que ‘tá’ lá e não devia ‘tá’, pode ser até honesto, mas é um idiota que ‘tá’ ferrando todo mundo. Você paga imposto, e o que recebe? Vamos ver se estes novos ares vão mudar. Vamos ver. Tem de rezar para dar certo, não adianta rezar para dar errado”?
Como ele não citou nomes, a dúvida levou o nome de Faustão ao topo dos assuntos mais comentados do Twitter na noite de ontem. Os usuários se dividiram. Parte entendeu que o apresentador se referia ao presidente Jair Bolsonaro; outros disseram que ele falava do ex-presidente Michel Temer.
O programa foi gravado em novembro, mas àquela altura já se sabia que Bolsonaro seria o presidente quando o quadro fosse ao ar. Também houve a interpretação de que Faustão transmitia um recado duro da TV Globo, alvo de ataques da família Bolsonaro, ao novo presidente.
O apresentador disparou em meio ao comentário da atriz Sophie Charlotte que defendeu a valorização do Carnaval e da Amazônia no país. Faustão fez a seguinte introdução antes de citar “o imbecil que ‘tá’ lá e não devia ‘tá’”:
“O que acontece: o brasileiro, na hora do Carnaval, na hora da Seleção, é um povo que tem união, solidariedade e uma integração. Por que isso não acontece nas coisas sérias? Lutar por educação, por saúde pública, contra a corrupção, contra a incompetência, que é uma forma de corrupção?”.
Em um dos seus primeiros decretos, o presidente Jair Bolsonaro impôs restrições ao presidente, conselheiros e servidores em exercício do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Eles estão impedidos de se manifestarem “em qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento no Plenário”.
As restrições, presentes no artigo 7º do decreto 9.663, de 1º de Janeiro de 2019, não constavam no estatuto anterior do órgão, assinado em 8 de outubro de 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Além disso, o decreto impede os servidores de “fornecer ou divulgar as informações de caráter sigiloso, conhecidas ou obtidas em decorrência do exercício de suas funções, inclusive para os seus órgãos de origem”.
O Coaf foi o órgão responsável por identificar movimentações suspeitas no valor de R$ 1,2 milhão feitas por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, deputado estadual pelo PSL-RJ. Entre as movimentações, está o depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Em entrevista ao SBT, Queiroz alegou que a movimentação é resultado da compra e venda de carros, sem, no entanto, explicar os depósitos de servidores da família Bolsonaro em sua conta.
Água morro acima O ex-presidente Lula disse estar preocupado com os rumos da oposição durante a gestão de Jair Bolsonaro. Ele falou sobre o assunto na conversa que teve com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e com a ex-presidente Dilma Rousseff, quinta-feira (3), na carceragem da PF.
Sinal fechado para nós Segundo relatos, o petista fez a avaliação de que, diferentemente de todos os outros desde a redemocratização, Bolsonaro não foi eleito para governar, mas sim para destruir adversários políticos, em especial o PT e seu legado.
Vai tu mesmo Às duas aliadas, Lula também disse acreditar que Bolsonaro vai endurecer o discurso de combate à corrupção na política e de criminalização da esquerda para “preencher o vazio” de sua gestão, caso não consiga avançar na pauta econômica nos primeiros meses.
Presidente Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes/Foto: Reprodução
Definitivamente 2019 não começou favorável para as pretensões do governo Bolsonaro. Como se não bastasse o inicio conturbado do novo governo, uma pesquisa do DataFolha divulgada neste sábado (5), trouxe dados que são um ‘balde de água gelada’ para as pretensões prioritárias do Presidente Jair Bolsonaro e seu poderoso Ministro da Economia, Paulo Guedes.
Segundo a pesquisa, 61% dos brasileiros são contra privatizações e 57% contra redução das leis trabalhistas, dois dos desejos mais profundos do governo Bolsonaro, e particularmente do presidente e seu ministro da economia, além dos simpáticos ao liberalismo no país.
Aos entrevistados foi perguntado se concordavam com a privatização do maior número possível de estatais como deseja o ministro Paulo Guedes, 44% foram enfáticos ao dizer que discordam e 17% discordaram em parte, 19% disseram concordar completamente e 15% concordam parcialmente. Já 5% não souberam ou quiseram responder, o 1% restante não concorda nem discorda.
A maioria que apoiam as privatizações, segundo o DataFolha, são homens e pessoas mais ricas e curso superior; as mulheres são os que mais discordam, com escolaridade média e os mais pobres.
Quanto a mudanças na legislação Trabalhista os números também não são nada animadores para parte prioritária da agenda do governo Bolsonaro. 57% são contra a medida; 43% discordam totalmente e 14% parcialmente. Já 22% concordam totalmente e 17% parcialmente. 5% não souberam ou quiseram responder.
Os mais favoráveis à redução nas leis trabalhistas são homens e mais ricos. Os menos favoráveis são pobres e mulheres.
O Datafolha ouviu 2077 pessoas em 130 cidades entre 18 e 19 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) (Silvia Izquierdo/AP – Paulo Whitaker/Reuters)
Rivais na disputa do segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) trocaram farpas neste sábado, 5, pelo Twitter por causa de uma reportagem do portal noticioso alemão Deutsche Welle.
Na sexta-feira, Haddad compartilhou o link de um texto, publicado em 28 de novembro passado, intitulado “Brasil,um país do passado”, com críticas fortes a Bolsonaro e às ideias de seus seguidores – entre outras coisas, apontava que “no Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição” e que “seus representantes preferem (o pastor) Silas Malafaia a Immanuel Kant (filósofo alemão).
Na tarde deste sábado, Bolsonaro retrucou, também em um post no Twitter, chamando Haddad de “fantoche do presidiário corrupto” e “marmita”. “A verdade é que o marmita, como todo petista, fica inventando motivos para a derrota vergonhosa que sofreram nas eleições, mesmo com campanha mais de 30 milhões mais cara”, escreveu, completando na sequência que “o PT quebrou o Brasil de tanto roubar, deixou a violência tomar proporções de guerra, é uma verdadeira quadrilha e ninguém aguenta mais isso!”.
(Reprodução/Reprodução)
(Reprodução/Reprodução)
Haddad, então, voltou a tuitar apontando o link para o texto do jornal alemão e convidou Bolsonaro para um confronto, lembrando o fato de o rival ter recusado participar de debates no segundo turno da eleição, alegando problemas de saúde. “Na verdade, quem disse isso foi um jornalista da Deutsche Welle, mas se você já se sentir seguro para um debate frente a frente, estou disponível. Forte abraço!”.
O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta sexta-feira (4) a lei que autoriza alunos das redes públicas e particulares a perderem provas e aulas por razões religiosas. A regra não se aplica a colégios militares.
De acordo com o texto da Lei 13.796/2019 (leia a íntegra), a instituição de ensino é obrigada a repor, sem qualquer prejuízo ou custo ao aluno, o conteúdo perdido por razões religiosas. A reposição pode ser feita por aulas extras ou aplicação de trabalhos, em dias ou turnos diversos, a serem definidos pela instituição e com aval do estudante.
O estudante, porém, deve informar à escola ou faculdade com antecedência. A forma e prazo da comunicação serão escolhidas livremente pela coordenação pedagógica.
Na Câmara dos Deputados, a relatoria foi de Maria do Rosário (PT-RS), que emitiu parecer favorável e conclusivo, ou seja, que dispensa a votação em plenário. Para Maria do Rosário, a lei garante o preceito constitucional de liberdade religiosa.
A lei entra em vigor em 60 dias e as instituições de ensino têm até dois anos para se adaptarem.