Flávio Dino, Governador do Estado do Maranhão – 14/02/2019 Romério Cunha/VPR/Flickr
Apesar das insinuações de que o PCdoB e o PT estão rompendo após 40 anos de alianças em eleições municipais, estaduais e federais pelo Brasil, o governador do Maranhão, Flávio Dino, principal liderança do Partido Comunista do Brasil, nega o afastamento entre as duas legendas e acredita que o momento esteja exigindo uma tática eleitoral dos partidos.
“Acho que é mais uma questão contingencial do que uma tendência. Eu não vejo esse afastamento, é tática eleitoral, eu te diria assim. Eu acho que é uma tática eleitoral do PCdoB para passar a cláusula de barreiras”, disse Dino,
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O colunista e ex-diretor de redação do Globo, Ascânio Seleme, afirmou que ‘é hora de perdoar o PT’, no jornal:
Não há como uma nação se reencontrar se 30% da sua população for sistematicamente rejeitada. Esse é o tamanho do problema que o Brasil precisa enfrentar e superar. Significa a parcela do país que vota e apoia o Partido dos Trabalhadores em qualquer circunstância. Falo dos eleitores, não apenas dos militantes. Me refiro aos que acreditam na política de mudança do partido, não aos seus líderes.
Os que acreditam e sustentam o PT são a maioria do terço de eleitores perenes do partido, não os que foram flagrados nos dois grandes escândalos de corrupção que marcaram as gestões petistas. Esse agrupamento político, talvez o mais forte e sustentável da história partidária brasileira, tem que ser readmitido no debate nacional. Passou da hora de os petistas serem reintegrados. Ninguém tem dúvida de que os malfeitos cometidos já foram amplamente punidos.
O partido teve um ex-presidente e seu maior líder preso e uma presidente impedida de continuar governando. Outros líderes históricos também foram presos ou afastados definitivamente da política. Hoje, respeitadas as suas idiossincrasias naturais, homens e mulheres de esquerda devem ser convidados a participar da discussão sobre o futuro do país. Têm muito a oferecer e acrescentar.(…)
Mas o PT é maior que isso e, como já foi dito, para ladrões existe a lei. Imaginar que o partido repetirá eternamente os mesmos erros do passado é uma forma simples, fácil e errada de se ver o mundo. Os erros amadurecem as pessoas, as instituições, os partidos políticos. Não é possível se olhar para o PT e ver só corrupção. O petismo não é sinônimo de roubo, como o malufismo (…). (Informações do DCM)
Partidos com maior tempo de TV e fundo eleitoral estão praticamente definidos na eleição em São Luís. As duas legendas são antagônicas nacionalmente, mas poderão apoiar candidaturas alinhadas no mesmo campo político na capital.
O PSL está apalavrado com o DEM, que tem como pré-candidato o deputado estadual Neto Evangelista, que já tem apoios de PDT, PTB e agora PSL.
O PT do ex-presidente Lula deverá fechar com Rubens Pereira Júnior (PCdoB), que já tem apoios de PP e DC.
Como ninguém vence eleição sozinho Neto Evangelista e Rubens Junior vão construindo suas alianças para o pleito do dia 15 de novembro de 2020.
Governadores Flávio Dino (Maranhão) e Rui Costa (Bahia)/Foto: Reprodução
O ex-presidente Lula disse nesta quarta-feira (27), à Rádio Jovem Pan Aracaju, que o PT avalia lançar Rui Costa, governador da Bahia ou o governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) como pré-candidatos à presidência da República em 2022.
“A única coisa certa nesse momento é que não vou disputar as eleições em 2022 por causa da minha idade. Contudo, podemos lançar o Rui Costa ou apoiar outro nome como o governador do Maranhão, Flávio Dino, sem nenhuma dificuldade. Estamos aqui para conversar”, disse Lula.
Em janeiro deste ano, o vice-presidente nacional do PT, Paulo Teixeira, anunciou em seu Twitter que Dino poderá estar na chapa nas próximas eleições à Presidência da República.
Também em janeiro deste ano, o jornal o Globo divulgou que Dino foi sondado pelo ex-presidente Lula para voltar ao PT. O convite não teria sido formal. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), também participou do encontro, na Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo. (Mídia Bahia)
Na entrevista concedida ao Poder 360 e SBT , do governador Flávio Dino (PCdoB), dentre os vários pontos e declarações importantes concedidas, uma das que teve destaque foi sobre a relação histórica do PCdoB e PT, e sua manutenção na atual conjuntura política. De acordo com Flávio Dino, “..têm um papel importante, porém não é suficiente na atual conjuntura..”.
“Em oito eleições presidenciais, o PT esteve presente com grande destaque em todas as ocasiões e exerce de fato um papel dirigente em relação a esse segmento da política brasileira.., nós reconhecemos essa proeminência, esse destaque do PT e do seu principal líder, que é um dos maiores líderes populares da história brasileira, o ex-presidente Lula.., as coisas mudam, as dificuldades objetivas vão se colocando, há obstáculos e por isso eu acho sim possível que em realidades locais, municípios, estados e também, sim, claro, no plano nacional, haja uma abertura maior a essa compreensão de que PT e PCdoB são aliados históricos, têm um papel importante, porém não é suficiente na atual conjuntura, tendo em vista que nós temos enormes desafios” defendeu Flávio Dino.
Desde ontem, com a entrevista da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, ao Valor, a Central de Boatos de Brasília foi ligada para especular sobre Flávio Dino no PT.
O colunista Lauro Jardim, de O Globo, publica hoje que Lula teria dito, no recente encontro que teve com o governador do Maranhão, para Dino “voltar para casa”. Dino já foi filiado ao PT.
Em 2018, sim, Flávio Dino chegou a ser sondado por alguns petistas se não considerava voltar para o partido. As conversas, porém, não evoluíram.
Dino acha difícil consolidar seu projeto de candidato a presidência da República pelo PCdoB, mas essa ainda é sua primeira opção.
Em relação a Lula, ele tem grande simpatia por Dino mas sabe que um convite desses no atual momento traria mais problemas do que soluções para o PT.
Além de Fernando Haddad, o PT tem dois governadores em mandato com ambições presidenciais, Camilo Santana (Ceará) e Rui Costa (Bahia). Lula não pode impedir que batalhem pela indicação tão cedo para trazer Dino. Isso poderia implodir o partido. (Revista Fórum)
“Lula sequer deveria estar preso em lugar nenhum porque é inocente e foi condenado numa farsa judicial”, traz a nota subscrita por Gleisi, Pimenta e Humberto Costa
NOTA
1) A decisão de transferir o presidente Lula de Curitiba para São Paulo é de exclusiva responsabilidade da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, que solicitou a medida, e da juíza de Execuções Penais Carolina Lebbos, que deferiu o pedido sem considerar os argumentos da defesa do ex-presidente.
2) Lula não deveria estar preso em lugar nenhum porque é inocente e foi condenado numa farsa judicial. Não deveria sequer ter sido julgado em Curitiba, pois o próprio ex-juiz Sergio Moro admitiu que seu processo não envolvia desvios da Petrobrás investigados na Lava Jato.
3) A decisão da juíza Carolina Lebbos caracteriza mais uma ilegalidade e um gesto de perseguição a Lula, ao negar-lhe arbitrariamente as prerrogativas de ex-presidente da República e ex-Comandante Supremo das Forças Armadas.
4) O Partido dos Trabalhadores exige que os direitos de Lula e sua segurança pessoal sejam garantidos pelo estado brasileiro, até que os tribunais reconheçam a sua inocência, a parcialidade da sentença de Moro e a ilegalidade da prisão, onde quer que seja cumprida.
Veja a íntegra do artigo do ex-presidente Lula publicado na Folha de S.Paulo:
“Por que têm tanto medo de Lula livre? Já alcançaram o objetivo, que era impedir a minha eleição
Luiz Inácio Lula da Silva *
Faz um ano que estou preso injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer. Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.
O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.
Hoje está claro que a minha condenação foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.
O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.
Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.
O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.
O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas. Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros. Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais.
Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno.
Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições. Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos.
Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição.
Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.
Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.
Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha.
Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.