Lava Jato investigou Dias Toffoli: “..temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela.”

 

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Montagem: Reprodução

Em novos diálogos revelados pelo Intercept Brasil e Folha do S. Paulo nesta quinta-feira (1º), mostram que o atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli e sua esposa Roberta Rangel, foram informalmente investigados por Delta Dallagnol e procuradores da Lava Jato em 2016.

Em 13 de julho, Dallagnol já havia levantado a questão com procuradores da Lava Jato. “Caros, a OAS touxe a questão do apto do Toffoli?”. E foi advertido por Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília. “Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela.”

De acordo com a Constituição Federal, os ministros do STF não podem ser investigados por procuradores da primeira instância. Eles só podem ser julgados pelo próprio tribunal, onde quem atua em nome do Ministério Público Federal é o procurador-geral da República.

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Flávio Dino, Haddad, Boulos e Requião pedem afastamento de Moro e Dallagnol de suas funções

 

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Foto: Reprodução

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), os ex-candidatos à Presidência da República em 20018, Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) e o ex-senador Roberto Requião (MDB), assinaram uma nota divulgada nesta segunda-feira (29), onde defendem a Liberdade de Imprensa e o afastamento de suas funções o ministro Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

Nota em defesa da liberdade de imprensa e pelo afastamento de Moro e Dallagnol

Em face dos graves acontecimentos que marcaram os últimos dias no Brasil, vimos a público para

1-Manifestar a nossa defesa firme e enfática das liberdades de imprensa e de expressão, das quais é consectário o direito ao sigilo da fonte, conforme dispõe a nossa Constituição Federal. Assim sendo, são absurdas as ameaças contra o jornalista Glenn Greenwald, seja por palavras do presidente da República ou por atos ilegais, a exemplo da Portaria 666, do Ministério da Justiça. Do mesmo modo, estamos solidários à jornalista Manuela D’Avila, que não praticou nenhum ato ilegal, tanto é que colocou seu telefone à disposição para perícia, pois nada tem a esconder.

2-Registrar que apoiamos todas as investigações contra atos de invasão à privacidade. Contudo, desejamos que todo esse estranho episódio seja elucidado tecnicamente e nos termos da lei, sem interferências indevidas, como a praticada pelo ministro Sérgio Moro. Este agente público insiste em acumular funções que não lhe pertencem. Em Curitiba, comandava acusações que ele próprio julgaria em seguida. Agora, no ministério, embora seja parte diretamente interessada e suspeita, demonstra ter o comando das investigações, inclusive revelando atos sigilosos em telefonemas a autoridades da República.

3-Postular que haja o imediato afastamento do ministro Sérgio Moro, pelos motivos já indicados. Em qualquer outro país democrático do mundo isso já teria ocorrido, pois está evidente que Moro não se comporta de acordo com a legalidade, insistindo em espantosos abusos de poder. Do mesmo modo, a Lava Jato em Curitiba não pode prosseguir com a atuação do procurador Deltan Dallagnol, à vista do escandaloso acervo de atos ilícitos, a exemplo do comércio de palestras secretas e do conluio ilegal com o então juiz Moro.

4-Sustentar que é descabida qualquer “queima de arquivo” neste momento. Estamos diante de fatos gravíssimos, que merecem apuração até mesmo junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional, neste último caso por intermédio de Comissão Parlamentar de Inquérito. A República exige transparência e igualdade de todos perante a lei. Altas autoridades que estão defendendo a “queima de arquivo” parecem ter algo a temer. Por isso mesmo, nada podem opinar ou decidir sobre isso. A lei tem que ser para todos, de verdade.

5-Sublinhar que somos a favor da continuidade de todos os processos contra atos de corrupção ou contra atuação de hackers, e que todos os culpados sejam punidos. Mas que tudo seja feito em estrita obediência à Constituição e às leis. Neste sentido, reiteramos a defesa da liberdade imediata do ex-presidente Lula, que não teve direito a um julgamento justo, sendo vítima de um processo nulo. A nulidade decorre da parcialidade do então juiz Moro, já que os diálogos revelados pela imprensa mostram que ele comandava a acusação e hostilizava os advogados de defesa, o que se configura uma grave ilegalidade.

6-Por fim, lembramos que quando os governantes dão mostras de autoritarismo, esse exemplo contamina toda a sociedade e estimula violências, como a praticada contra os indígenas wajãpis, no Amapá, com o assassinato de uma liderança após a invasão do seu território. Cobramos do Governo Federal, especialmente do Ministério da Justiça, providências imediatas para garantia da terra dos wajãpis e punição dos assassinos.

Chega de “vale-tudo”, ilegalidades e abusos. Não queremos mais justiça seletiva e parcial. Queremos justiça para todos”.

Bolsonaro diz que sabe como o pai do presidente da OAB morreu na Ditadura Militar

 

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Foto: Reprodução

247 – O presidente Jair Bolsonaro atacou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, pela atuação na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do ferimento a faca que sofreu no período eleitoral, e disse que, “se a OAB quiser”, pode explicar como “o pai dele desapareceu no período militar”.

“Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, afirmou Bolsonaro.

O presidente da OAB é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido após ter sido preso no Rio de Janeiro por agentes da ditadura, em fevereiro de 1974. Segundo a Comissão da Verdade, que investiga os crimes da ditadura, não há registros de que Fernando tenha participado de luta armada contra o regime, ao contrário do que disse Bolsonaro.

O ex-juiz Sérgio Moro em português claro

 

Brazil's Justice Minister Sergio Moro gestures after a meeting with Brazil's President Jair Bolsonaro at the Planalto Palace in Brasilia
Sérgio Moro/Foto: Reprodução

Blog do Juca Kfouri

O que Sérgio Moro quis ao revelar o hackeamento de uma porção de autoridades foi tê-las sob seu controle.

Do presidente da Câmara, do Senado, e de ministros do STF, ao presidente da República.

“Olhe, fulano, eu sei tudo que você andou conversando”.

Daí propôs, sem ter poder para tal, destruir as provas.

Mas, é claro, guardar para ele todas elas.

De maneira a evitar embates com quem pudesse atrapalhar seus projetos, sejam eles quais forem, com relação ao STF, que terá de ser aprovado no Senado, ou às eleições de 2022.

Embora cada vez mais refém de Jair Bolsonaro, desorientado, Moro achou que pudesse virar o jogo, de denunciado para denunciante.

Deus-se mal porque manobra tão rasteira não pegou.

Seu poder de destruição diz respeito a ele mesmo.

Que invente outra enquanto convive com a veloz desconstrução de sua imagem.

Nunca foi juiz. Jamais passou de um justiceiro.

Flávio Dino diz que número da Portaria de Moro contra estrangeiros é o mesmo do mal na Bíblia

 

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Flávio Dino, governador do Maranhão, critica Decreto 666/Foto: Reprodução

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, age como estivesse lutando acuado numa guerra com poucas forças. No Diário da União desta sexta-feira (26), está publicado uma Portaria assinado por ele, que estabelece proibição de entrada, deportação e repatriação de estrangeiros no Brasil.

A medida que se transformou rapidamente em mais uma polêmica envolvendo o ex-juiz Sérgio Moro, está sendo tratada como retaliação ao jornalista Glenn Greenwald do The Intercept Brasil e a liberdade de imprensa.

O governador Flávio Dino, no twitter, lamentou e classificou a Portaria de ditatorial. Citando um passagem da Biblia, disse que a medida de Moro é a representação do mal.

“…e o seu número é seiscentos e sessenta e seis. Apocalipse 13:18. Na Bíblia é o número do mal. Por coincidência, esse também é o número da Portaria editada hoje, que pode levar a atos ditatoriais. Defender o Brasil não significa fazer perseguições. É preciso ter bom senso’ destacou Flávio Dino no twitter.

A medida tornada pública no dia seguinte à divulgação de nomes e informações sobre os ‘hackrs’ presos em São Paulo, acabou se refletindo em mais polêmicas envolvendo o ministro Moro que tenta desqualificar o site The Intercept Brasil, autor da série de reportagens contra ele e os procuradores da Lava Jato.

Em nota a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) considerou a medida ‘inconstitucional e que tomará providencias contra a tentativa do ministro Sérgio Moro de intimidar o jornalista norte-americano.

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Editor do The Intercept Brasil revela conversa com fonte de mensagens

 

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Glenn Greenwald Foto: Reprodução

telegram-iphone-v1A fonte que entregou os diálogos da Operação Lava Jato ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, negou em conversa no dia 5 de junho que também tenha sido responsável pela invasão ao Telegram do Ministro da Justiça, Sergio Moro. O diálogo foi repassado a VEJA pelo próprio Greenwald.

Na mensagem, o jornalista pergunta à fonte se ela havia lido uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre a invasão ao celular do ministro. O título da matéria dizia que o hacker usou aplicativos do aparelho e trocou mensagens por seis horas. “Posso garantir que não fomos nós”, responde a fonte, em mensagem transcrita de forma literal.

“Nunca trocamos mensagens, só puxamos. Se fizéssemos isso ia ficar muito na cara”, diz a fonte em outra mensagem, antes de criticar o método de ação empregado contra o ministro. “Nós não somos ‘hackers newbies’ [amadores], a notícia não condiz com nosso modo de operar, nós acessamos telegrama com a finalidade de extrair conversas e fazer justiça, trazendo a verdade para o povo.”

Segundo Greenwald, o primeiro dos contatos com a fonte ocorreu no início de maio. Ou seja, um mês antes da denúncia feita pelo Ministério da Justiça. Ele conta que foi apresentado à fonte por um intermediário, e reitera que todos os contatos foram feitos virtualmente. Greenwald também afirmou desconhecer a identidade do hacker, que teria extraído todo material do Telegram de Dallagnol.

(Informações Veja)