Faustão (apresentador da Rede Globo) aconselhou Sérgio e os procuradores a utilizarem uma linguagem mais simples/Foto: Reprodução
Os novos diálogos revelados pela Veja do escândalo da Lava Jato atiram de vez a operação no terreno do pastelão trágico, categoria em que o Brasil é especialista:
As conversas entre membros do Ministério Público Federal assumem várias vezes o tom de arquibancada, com os membros da força-tarefa vibrando e torcendo a cada lance da batalha contra os inimigos. Em 13 de julho de 2015, Dallagnol sai exultante de um encontro com o ministro Edson Fachin e comenta com os colegas de MPF: “Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”.
A preocupação da força-tarefa com a comunicação para a opinião pública era constante. Em 7 de maio de 2016, Moro comenta com Dallagnol que havia sido procurado pelo apresentador Fausto Silva.
Segundo o relato do juiz, o apresentador o cumprimentou pelo trabalho na Lava-Jato, mas deu um conselho: “Ele disse que vcs nas entrevistas ou nas coletivas precisam usar uma linguagem mais simples.
Para todo mundo entender. Para o povão. Disse que transmitiria o recado. Conselho de quem está a (sic) 28/anos na TV. Pensem nisso”. Procurado por VEJA, Fausto Silva confirmou o encontro e o teor da conversa entre ele e Moro.
O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA), questionou a líder do governo Bolsonaro na Câmara, Joice Hesselmann (PSL-SP), após ela informar que vai processar, o também deputado, Glauber Braga (PSOL-RJ), que chamou Sérgio Moro de ‘juiz ladrão’.
“A Joice Hasselmann anuncia processo contra o Glauber Braga por chamar o Moro de juiz ladrão, numa metáfora bem apropriada ao futebol. Mas outro dia a Joice Hasselmannn pediu a absolvição de um correligionário que chamou o ex-governador Alckmim de ‘assassino de policiais’”, disse Jerry no twitter.
Durante sessão conjunta da Câmara e Senado Federal, quarta-feira (3), Glauber Braga, voltou chamar Moro de ‘juiz ladrão’, e disse ainda que não teme ameaças dos aliados de Sérgio Moro e Jair Bolsonaro, e não recuará da sua opinião.
Ministro da Justiça, Sérgio Moro, que aderiu discurso ‘messiânico’ para manter apoio das ruas/Foto: Reprodução
De acordo a Coluna Painel da Folha de SP, as manifestações do domingo (30), em apoio a Sérgio Moro e ao governo Bolsonaro foram avaliadas como significamente abaixo da anterior. Outro aspecto, foi a adesão do discurso ‘messiânico’ pelo ex-juiz da Lava Jato.
Governadores, Membros de Cortes Superiores e dirigentes de partidos acompanharam atentamente as manifestações e a opinião geral foi basicamente a mesma. Apesar de comemorar, o governo sabe que o apoio de antes não é o mesmo e deverá adotar estratégia para tentar manter grande parte das ruas ao seu lado.
Flávio Dino, governador do Maranhão/Foto: Reprodução
O ex-juiz federal e governador do Maranhão, Flávio Dino, mandou um recado através do twitter neste domingo (30), ao ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro denunciado pelo The Intercept Brasil e outros setores da imprensa de cometer irregularidades e conduzir a Lava Jato com objetivos políticos e pessoais.
“Eu vejo, eu ouço. Agressões contra o Congresso Nacional e o Supremo, pedidos de “intervenção militar”, tentativas de desqualificar a liberdade de imprensa, defesa de ilegalidades absurdas e abjetas, brigas fascistas. É só uma questão de abrir bem os ouvidos para ouvir certinho”, destacou Flávio Dino.
A postagem de Flávio Dino foi motivada pela manifestação de Sérgio Moro também no twitter, para as pessoas que foram às ruas hoje em apoio a ele e o governo Bolsonaro.
“Eu vejo, eu ouço, eu agradeço. Sempre agi com correção como juiz e agora como Ministro. Aceitei o convite para o MJSP para consolidar os avanços anticorrupção e combater o crime organizado e os crimes violentos. Essa é a missão. Muito a fazer”, disse Sérgio Moro .
Neste domingo, a Folha de SP, em parceria com The Intercept Brasil divulgou que empreiteiro da OAS, Léo Pinheiro, só passou ter importância para Lava Jato quando decidiu incriminar Lula no caso do Triplex do Guarujá. Está semana Sérgio Moro deve voltara ao Congresso prestar explicações sobre as denuncias contra ele e a Lava jato.
Por considerarem graves as denuncias divulgadas pelo o The Intercept Brasil, sobre os diálogos entre o ex-juiz Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores da Lava Jato, os Governadores do Nordeste divulgaram neste domingo (30), uma carta onde cobram apuração rápida, independe e transparente das evidencias de irregularidades praticas pelo atual ministro da Justiça e Força Tarefa.
CARTA DOS GOVERNADORES DO NORDESTE 30 de junho de 2019
ABUSOS DEVEM SER INVESTIGADOS As seguidas revelações de conversas e acordos informais entre membros do Judiciário e do Ministério Público, em Curitiba, divulgadas pelo TheIntercept.com e outros veículos de comunicação, são de muita gravidade. As conversas anormais configuram um flagrante desrespeito às leis, como se os fins justificassem os meios.
Não se trata de pequenos erros; são vidas de seres humanos e suas histórias que se revelam alteradas em julgamentos fora das regras constitucionais, legais e éticas. Todos sabem que um juiz deve ser imparcial e por isso não pode se juntar com uma das partes para prejudicar a outra parte. Acreditamos que a defesa da real imparcialidade dos juízes é um tema de alto interesse inclusive para eles próprios. Assim, manifestamos nossa confiança de que a imensa maioria dos magistrados e membros do Ministério Público que, com seriedade e respeito à lei fazem o verdadeiro combate à corrupção e outros crimes, podem apoiar as necessárias investigações nesse caso.
Agora, um dos trechos das conversas divulgadas destacam o Procurador Deltan Dallagnol sugerindo busca e apreensão na residência do hoje Senador pela Bahia, Jaques Wagner. E a justificativa do coordenador da Lava Jato? “Questão simbólica”, ou seja, ao lixo o direito. É mais uma revelação de extrema gravidade.
É inadmissível uma atuação que se denuncia ilegal entre membros do Ministério Público e do Judiciário, combinando previamente passos de uma importante investigação, com o intuito de perseguir e prender pessoas. Em discurso recente, na Cúpula Pan-Americana de Juízes, o Papa Francisco já demonstrou a sua preocupação com atos abusivos e de perseguição por meio de processos judiciais sem base legítima.Reivindicamos a pronta e ágil apuração de tudo, com independência e transparência. É preciso também avaliar o afastamento dos envolvidos. Defendemos, ainda, a revisão ou anulação de todo e qualquer julgamento realizado fora da legalidade.
Outrossim, sublinhamos a relevância de o Congresso Nacional concluir a votação do Projeto de Lei sobre Abuso de Autoridade.
Apoiamos firmemente o combate à corrupção, porém consideramos que também é uma forma de corrupção conduzir processos jurídicos desrespeitando deliberadamente a lei.
A Revista Veja desta semana revela quem são as duas testemunhas que teriam sido indicados pelo então juiz Sérgio de Moro ao coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, para darem informações sobre possíveis bens do ex-presidente Lula .
Oficialmente em parceria com o site The Intercept Brasil, a revista diz que os indicados por Moro aos procuradores foram Nilton Aparecido Alves (técnico em contabilidade) e Mário César Neves(empresário), ambos em Mato Grosso do Sul.
O site The Intercept já havia divulgado a conversa ocorrida pelo aplicativo Telegram, o ministro disse ao procurador que sabia de uma testemunha “aparentemente disposta”a falar sobre imóveis relacionados ao ex-presidente Lula.
O ex-juiz Moro pode ser acusado de ter praticado fraude processual, já que magistrados são proibidos por lei indicarem testemunhas a qualquer uma das partes.
De acordo com Veja, Dallagnol procurou as pessoas citadas, em dezembro de 2015, mas elas teriam se recusado a colaborar. A reportagem diz ainda que o procurador chegou a sugerir que se forjasse uma denúncia anônima para justificar a expedição de uma intimação que obrigasse as testemunhas a depor no Ministério Público.
Quando questionado sobre o diálogo, o ex-juiz Moro confirmou e o classificou como ‘descuido’.
Segundo Veja, Nilton Aparecido não confirmou se foi procurado pela lava Jato. Ainda de acordo com a reportagem, ele já foi investigado, acusado de pagar propina a uma organização criminosa que gerou prejuízo de R$ 44 milhões ao estado de Mato Grosso do Sul.
Já o empresário Mário César Neves que teria ouvido a história de Nilton Aparecido sobre os imóveis do filho de Lula e passou a informação a Moro, ele disse que foi procurado, mas para dizer quem era o Nilton, e como poderia encontrá-lo.