


247 – O presidente Jair Bolsonaro atacou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, pela atuação na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do ferimento a faca que sofreu no período eleitoral, e disse que, “se a OAB quiser”, pode explicar como “o pai dele desapareceu no período militar”.
“Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, afirmou Bolsonaro.
O presidente da OAB é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido após ter sido preso no Rio de Janeiro por agentes da ditadura, em fevereiro de 1974. Segundo a Comissão da Verdade, que investiga os crimes da ditadura, não há registros de que Fernando tenha participado de luta armada contra o regime, ao contrário do que disse Bolsonaro.

Governadores do Nordeste voltam se reunir segunda-feira (29), na Bahia. A primeira reunião, após a polêmica envolvendo o presidente Bolsonaro e os governadores da região e na Bahia, onde o presidente cumpriu recentemente agenda, é mera coincidência, não tendo nenhuma relação direta com o fato.
De acordo com os governadores, inclusive Flávio Dino (PCdoB) do Maranhão, apontado por Bolsonaro como o pior dos governadores ‘paraíbas’, a pauta da reunião será o Consorcio Nordeste.
“Enquanto uns querem conflitos com o Nordeste, nós desejamos trabalho, ação e resultados. A reunião terá como foco principal Consórcio Nordeste”, destaca Flávio Dino.
A espera de uma mudança de postura do presidente em relação ao Nordeste, o governador Flávio Dino chama atenção para os interesses do país, segundo ele, antipatias políticas e ideológicas não podem se sobrepor ao enfrentamento dos problemas do Brasil, que não são poucos. O Consórcio do Nordeste dará certa independência financeira à região.
“A nação deve estar acima de preferências políticas ou eventuais antipatias partidárias. E em uma federação em que as competências estão divididas entre governo federal, estados e prefeituras, a maior cooperação possível deve ser buscada”, disse Flávio Dino.
Em recente pesquisa realizada pelo site Congresso em Foco, com Congressistas, três dos governadores da Região Nordeste, e que fazem oposição ao governo Bolsonaro foram escolhidos como os melhores, o melhor é Flávio Dino (Maranhão), em seguida vem Rui Costa (Bahia) e Wellinton Dias (Piauí).

Durante entrevista à Rádio Gaucha terça-feira (23), o governador Flávio Dino (PCdB), ratificou que adotará providências em relação à retaliação determinada por Jair Bolsonaro (PSL), contra ele e o Nordeste, revelada no vídeo do café da manhã com correspondentes internacionais semana passada.
A fala do presidente considerada de conotação preconceituosa contra os estados do Nordeste, principalmente ao Maranhão, causou grande polêmica e repercussão rapidamente no país. No vídeo Bolsonaro diz de modo informal a Onix Lorenzoni, ministro da Casa Civil.
‘.. daqueles governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão.., tem que ter nada para esse cara..’, Bolsonaro a Onix Lorenzoni.
Nesta quarta-feira (24), também em entrevista à Rádio Gaucha, o ministro Onix Lorenzoni, questionado sobre a crise com os governadores do Nordeste, disse que Jair Bolsonaro se referiu apenas aos governadores da Paraíba e Maranhão.
“Esses dois, principalmente, têm um discurso em Brasília e outro em suas bases”, Onix Lorenzoni, Casa Civil.
ENTREVISTA NA RÁDIO GAUCHA COM FLÁVIO DINO SOBRE O ASSUNTO

Por Gabriel Mascarenhas
O governador Flávio Dino admite em seu ciclo íntimo que está comemorando até agora o fato de ter sido descriminado por Jair Bolsonaro. Nada poderia ter alavancado mais sua imagem nacionalmente do que o “paraíba” proferido pelo capitão.
Para quem mira a Presidência da República, como Dino, antagonizar-se a Bolsonaro rende mais votos do que qualquer cabo eleitoral.

A inauguração do Aeroporto de Vitória da Conquista, nesta terça-feira (23), dará muito ainda o que falar. Antes de embarcar para Bahia Bolsonaro lamentou no twitter, a não liberação da Polícia Militar, pelo governador Rui Costa, para fazer a segurança dele e sua comitiva.

A provocação de Bolsonaro não ficou sem resposta, também na manhã de hoje durante entrevista à uma emissora de rádio, Rui Costa, disse que “quem é impopular e tem medo de ir às ruas, tem que ficar no gabinete”.
O governador deu entender que sua decisão foi porque Bolsonaro transformou o evento do povo da Bahia em agenda do governo federal, para promovê-lo. Então ele que providenciem as forças de segurança federais para fazer sua segurança.
“Governante que gosta de aplausos e selfies, também precisa enfrentar protestos. Isso faz parte da democracia. Não posso ficar botando a polícia para bater em quem quer protestar”, disse Ruy Costa.


O Palácio do Planalto ainda não encontrou uma saída para a polêmica criada por Bolsonaro em relação ao Nordeste. No domingo (21), o presidente ainda tentou sem sucesso nas redes sociais melhorar a situação, mas só piorou e agradou mesmo apenas parte dos seguidores do Bolsonarismo.
Amanhã terça-feira (23), será inaugurado o novo Aeroporto de Vitória da Conquista na Bahia, vários políticos baianos já declararam que não participarão em protesto ao desrespeito de Bolsonaro com o Nordeste. Hoje o governador da Bahia, Rui Costa (PT) anunciou através de um vídeo que também não participará.
A obra realizada em parceria do governos federal e estadual, não recebeu um centavo do governo Bolsonaro. Iniciada durante o governo Dilma Rousseff, a última parte dos recursos da união utilizados na obra foi liberado no final do ano passado durante o governo Temer.
O governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB), apontado por Bolsonaro textualmente como seu principal alvo, se solidarizou nas redes sociais com Rui Costa. Para Dino o governo Bolsonaro praticamente se apodera de uma obra e luta do povo e governo da Bahia.
“Minha solidariedade ao governador Rui Costa, da Bahia, praticamente impedido de participar da inauguração de uma obra no estado que ele governa. Definitivamente isso está errado. Precisamos de união, paz e respeito. Faço um apelo ao bom senso, enquanto há tempo”, disse Flávio Dino no twitter.

Em resposta a Jair Bolsonaro, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou no domingo (21), em entrevista ao Site O Imparcial, que não tem medo de Bolsonaro e não recuará um milimetro da sua postura política e ideológica porque o presidente não gosta.
“Não é a opinião isolada do presidente da República, movido por ódio e preconceito, que vai afetar minha atuação. Não tenho medo de cara feia, de grito, não tenho medo de nada disso. Não tenho medo de ditador, de subditador, de projeto de ditador. Então, vou manter a minha atitude sempre respeitosa, sempre no plano político e ideológico, como faço, nunca no plano pessoal”, disse Dino.
Na última sexta-feira (18), teve grande repercussão o vídeo em que Bolsonaro durante conversa com Onix Leronzoni aparece destilando ódio, preconceito e xenofobia ao Nordeste e determinando retaliação em particularmente a Flávio Dino. O governador do Maranhão disse que até mesmo na ditadura militar os governadores estaduais eram tratados com respeito.